terça-feira, setembro 19, 2006

Palavras

Há dias em que o tempo parece não passar! Dias como hoje, em que vou inventando coisas para fazer ou para pensar, na esperança de que os ponteiros do relógio avancem rapidamente. O escritório está estranhamente calmo, e sinto falta da agitação que por aqui é uma constante.
Aproveito para colocar algumas ideias em ordem e reflectir sobre alguns acontecimentos recentes. Com a cabeça a fervilhar de ideias, tenho sido incapaz de escrever. As palavras parecem-me sempre tão pouco significativas para o tanto que quero deitar cá para fora. São as coisas novas que tenho aprendido no estágio; é o mundo do direito que agora sim começa a tomar forma real e me faz acreditar, a pouco e pouco, e depois dos receios “pré-estágio”, que fiz a escolha certa; são as sensações de paz e liberdade que me dominam enquanto conduzo; enfim, uma imensidão de realidades que queria ser capaz de transpor em palavras escritas, mas que não consigo.
Antes, quando as minhas palavras fluíam sem que eu, muitas vezes, me desse conta, era muito fácil escrever. E a minha escrita era partilha, entrega. Hoje, um pouco mais reservada e cautelosa no que respeita às palavras do que era então, escrever transformou-se num exercício de maior ponderação e reflexão. Ainda assim, escrever continua a ser a minha terapia de eleição. A maneira mais eficaz de colocar para fora tudo o que me mói por dentro, tudo o que não me deixa sossegar e , também, tudo o que me deixa feliz.
Às vezes, as palavras surgem do nada, fluindo no papel de modo simples e claro, outras ficam retidas dentro de mim, como se estivessem presas por alguma rede invisível que não lhes permite libertarem-se. Hoje as palavras tomaram alguma forma, mas não reflectem tudo o que queria escrever. Deve ser do tempo que teima em não passar. Escrevi e, ainda assim, mesmo perdida nas palavras, passou menos de uma hora.

(hora:16h46min)

2 comentários:

Pedro disse...

Olá, agradeço e retribuo as visitas ao meu pequeno "espaço". Entretanto, ao ler as tuas palavras de hoje fizeram-me recordar igualmente os meus primeiros dias de estágio, há já quase 3 anos. Um mundo novo que se abria perante mim, como se eu tivesse "nascido" novamente. Entretanto, e actualmente, sou eu quem vai orientando o melhor que sei e que posso os que vão começando no estágio, com os poucos conselhos que lhes posso dar, não sabendo, porém, se os mesmos são aceites ou não. Entretanto, há alturas que me apetece mandar o escritório às malvas e ir dar uma volta e às vezes faço isso mesmo. Saio durante 5 ou 10 minutos, dou uma ou duas voltas ao quarteirão, arejo, acalmo as ideias, enfim páro para pensar um pouco em tudo e em nada, e fumo um ou dois cigarros. Quando me sinto bem, volto para o meu cantinho e recomeço a produzir como se nada tivesse acontecido e como se tivesse estado sempre bem disposto e bem humorado.

Beijinhos
Pedro

Maria disse...

Pedro - É muito bom ter alguém que nos oriente nestes primeiros tempos. No escritório onde estou a estagiar há sempre alguém que me ensina uma coisa nova, que me explica o que não sei, que me dá um conselho. Vou somando todos esses momentos e parendendo um pouco mais com eles. Porque ninguém nasce ensinado! Realmente sinto-me como dizes: como se tivesse "nascido" de novo... Quis muito isto! Agora é lutar para aprender e conseguir "vingar" neste "nosso mundo"... ;-)

Beijinhos